EL EFECTO
PEDRAS E SONHOS (2012)

1. O ENCONTRO DE LAMPIO COM EIKE BATISTA

Duas coisas bem distintas, uma  o preo, outra  o valor
Quem no entende a diferena pouco saber do amor,
da vida, da dor, da glria e tampouco dessa histria,
memria de cantador

Reza a histria que num dia, daqueles de sol arisco,
O bando de cangaceiros mais valente nunca visto:
Candeeiro, Labareda, Zabel e Mergulho,
Juriti, Maria Bonita, Volta Seca e Lampio,
Enedina, Quinta-feira, Beija-flor e Z Sereno,
Lamparina, Bananeira, Andorinha e o Moreno,
Moderno, Trovo, Dad, Moita Brava e mais Corisco,
Pra m de se arrefrescar, margeavam o So Francisco
Ai que cal!

De repente um escarcu aperreia a todo bando
Vem um trem rasgando o cu e na terra vai pousando
Do grande urubu de lata, cercado por muitos hmi 
Desce um gringo de gravata falando ao telefone      

Uns hmi tudo de preto, peste vinda do futuro
Que pra no olhar no olho veste culos escuro
Um se aprochegou do bando, grande pinta de artista
Disse com ar de desprezo, muito seco e elitista:
- Calangada arreda o p, que agora isso  de Eike Batista

A peixeira j luzia quando o gringo intercedeu:   
- Perdoem a grosseria desse empregado meu
Sou homem civilizado, no gosto de violncia
Trago papel assinado, prezo pela transparncia
A terra , de fato, minha. O governo fez leilo
Eu que dei o maior lance, ganhei a licitao
No sou nenhum trapaceiro, o que  meu  de direito
Mas como bom cavalheiro lhes proponho um outro jeito 

Chamou Lampio na chincha, prum papo particular
Uma proposta de ouro difcil de recusar:

- Vou ganhar muito dinheiro com um novo agronegcio
Emprego teu bando inteiro e ainda te chamo pra ser scio.

- Tu pode comprar So Paulo e o Rio de Janeiro
Foto em capa de revista por causa do seu dinheiro
Ter obra no mundo inteiro, petrleo, minerao
Mas aqui nesse pedao, quem manda  o rei do cangao 

VIRGULINO LAMPIO!

Se tu gosta de X, mais um X eu vou lhe dar 
no xaxado que diz XISPA!

E os hmi tudo de gravata desandaram a fugir
Subiram no urubu de lata e arredaram o p dali

E at o velho Chico cantou pra todo mundo ouvir:
- Eike, Eike, Eike, Eike, Eike, hay que resistir! 

Duas coisas bem distintas, uma  o preo, outra  o valor
Quem no entende a diferena pouco saber do amor,
da vida, da dor, da glria e tampouco dessa histria,
memria de cantador

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Baixo Fretless: Alexandre Guerra
Coro: Carolina Thibau, Conrado Kempers, Dandara Catete, Iuri Gouva, Karina Neves, Letcia Catete, Pollyana Vieira e Uir Bueno 
Flautas e pfanos: Karina Neves 
Percusso: Bernardo Aguiar
Violo: Donato 
Voz Eike: Diogo Furieri
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2. PEDRAS E SONHOS

Bota a cara l fora e me conta o que o teu olho escolhe ver 
Olha pra dentro agora e lembra do que convm esquecer

Corre por que a vem ela - A VERDADE!
Quem tem medo dela?
Vem pra te lembrar
Tranca a porta e a janela - A VERDADE!
Quem se esconde dela?

No meio do caminho uma pedra apareceu
No meio do caminho uma pedra pareceu ser o caminho

Sai da tua gaiola, me diz agora o que voc v
Sente na pele e chora, tarde demais pra esquecer

Corre porque a vem ela - LIBERDADE!
Quem tem medo dela?
Vem pra te lembrar
Arromba a porta e a janela - LIBERDADE!
Quem se esconde dela?

Pedras so sonhos na mo, voam na imensido
Ideias que ganham vida e criam asas
Voam na imensido, meus sonhos minha cano
Pedras e sonhos so nossas nicas armas

Pedras so sonhos na mo
Flores que brotam, brotam do cho
Se as pedras no voam os sonhos so em vo
Em tempos de escurido, o sol se pe 
Mas se um dia as pedras cantam
Se um dia as pedras cantam
Se cantam as pedras os sonhos danaro

E eu quero ver quem vai danar!

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Clarinete: Deyvisson Vasconcelos
Coro: Carolina Thibau, Conrado Kempers, Dandara Catete, Iuri Gouva, Letcia Catete, Pollyana Vieira e Uir Bueno
Escaleta: Toms Rosati
Percusso: Bernardo Aguiar e Toms Rosati
Trombone: Jonas Correa 
Trompete: Matheus Corra
Discurso: Subcomandante Marcos - La bala que mat a mi hermano
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3. ADEUS ADEUS

Venham ver quanto poder a f pode te dar
Se a ela abrires o teu corao
Seja abenoado
Mesmo se eu andar pelo vale das sombras
Eu nada temerei
Hoje eu sei da fora que me faz capaz 
de remover montanhas remover montanhas
Remover montanhas que nas costas carreguei
Por temer a tua lei

Luz que me fez chorar tanto
Oh! Quanto eu orei 
At perceber o que os bem-aventurados no podem ver

Senhor, na tua palavra encontrei a morada, o conforto,
A tranquilidade, a verdade, o caminho, a luz!
Servo da tua nobreza infinita, 
Ajoelhado eternamente diante de ti
Seja feita a vossa vontade
Pela tua santa mo me guiaste
Me livraste de todos os sentimentos impuros 
Que aprendi a trancar nos pores da minha alma
Nos pores escuros da minha alma
Pois as linhas tortas da minha vida tu,  Senhor, retificaste
A inquietude do meu esprito, o dio do meu corao
Tu,  Senhor, aplacaste. Tornando a vida possvel,
Toda dor suportvel enfim

O brilho da luz branca, o peso da cruz santa
A me cegar, a me pregar, tudo to claro,  Senhor!
Eu suportei, eu aguentei, eu aceitei, eu esperei
Hoje eu no espero mais! 
Quero a vida agora, na guerra desse mundo
E se h servos e senhores, louvemos essa disputa!
Toda glria  paz que se conquista atravs da luta,
Dela irei atrs onde quer que se esconda
Porque hoje enfim eu sei.
Hoje eu sei que quanto maior a LUZ, quanto maior a LUZ 
Maior a SOMBRA! 

Dos pores eu abro a porta, agora, me libertei 
Acorrentado s minhas prprias escolhas, sempre estarei 
Eu me confesso, eu rezo, pra que tudo seja ateu! 
Fui fiel s tuas linhas tortas. Quanto eu orei! 
Mas no fundo eu sempre soube que da missa eu no sabia um tero
Mas agora eu sei! Acho que sei 
Ressuscitado nas trevas clamando:
- ADEUS ADEUS!

Daqui pra frente  tudo com a gente
Ento que seja o que a gente quiser
Ser que  pecado crer que  na gente que a gente deve crer?

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Pandeirola: Toms Rosati
Teclados: Donato
Trombone: Jonas Correa
Trompete e Flugelhorn: Matheus Corra
Violo: Donato
Violino: Conrado Kempers           
Violoncelo: Vokin Loksar
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4. CANTIGA DE NINAR

Dorme meu bem, que o monstro j vai chegar
De olhos bem fechados ningum sai machucado
Menino malcriado jamais  recompensado

Cuidado que a Cuca que a Cuca um dia te pega
Te pega dali, te pega de l. 
Cuidado que a Cuca que a Cuca um dia te pega
Te pega dali, te pega de l
Cuidado que a Cuca vai te pegar! 
Cuidado que a Cuca te pega. Te pega daqui, te pega de l  

Dorme tranquila, nenhum mal irs sofrer
Confia nesse amigo e no vai se arrepender
Quietinho e calado nesse canto em meu colo aconchegado

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Clarinete: Deyvisson Vasconcelos
Teclados: Donato
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5. PRELDIO EM HD

A culpa  daquela tela que t l
Colocada l no altar. Chibata que te lasca o lombo
Faz toda dor ser possvel
Te ensina a ser brao da mo invisvel
Nela eu vou ver guerra vencer
Nela Tu V, v teu vudu em HD 

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Didjeridou: Toms Alem
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6. N'AGHAD

,  senhor rei dos ventos que sopra nos campos
Que carrega as sementes e espalha os meus prantos
Lance um passe que faa esse quebranto passar
Esse feitio maldito se apossou da praa
Acendo uma vela pra virar fumaa
Que assim seja! Que assim se faa!

Ela  nossa me, nossa filha
Ela  nosso grande irmo
Ela  nossa novela, nossa tela
Ela  nossa solido
Nossa tela, nossa cela, nossa solido
Nossa santa, nossa sina, nossa senhora que ilumina
Nossa santa, nossa sina, ela  nossa assassina
Nefasta feiticeira, sinistra criatura
De manh traz a doena e  noite vende a cura

,  senhor rei do fogo que clareia a noite
s chama que chama e embala os aoites
Lance um passe que faa esse quebranto passar
Esse feitio maldito que calou a massa
Apago uma vela pra virar fumaa 
Que assim seja! Que assim se faa!

O seu salrio de um ano, eles faturam por hora
Bate palma pra humilhao, confunde heri com vilo
O poeta* j disse: eles so os ricos que o meu povo adora
Bate palma pra humilhao em alta definio
Ela vem sussurrando em surround
Tu se rende no primeiro round
E at l no meio do mato, naquela casinha de sap
Bate palma, estica e puxa. E viva a festa da bruxa
A tecla SAP vai dizer qual  a lngua do poder

Quero poder! Quero poder mandar!
Da grana me morde a fome, da fama eu quero provar!
Quero poder! Quero poder matar!
E escrever com sangue meu nome no teu altar! 

Propagand, propaganda
Pra eu poder vender, pra eu poder comprar
Propagand, propaganda 
Que  pro feitio propagar

,  maldita macumba quimbanda macabra
A revoluo no ser televisionada
Que assim seja! Que assim se faa!

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Percusso: Bernardo Aguiar
*Poeta: Gog
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7. A CAA QUE SE APAIXONOU PELO CAADOR

Eu sei, a vida  dura, mas j no posso mais aguentar essa 
Me explica, seu doutor, como pode a caa se apaixonar pelo caador?
Quanto mais apanha, mais satisfeita fica 
Queria ser como voc to bonita e rica
Mas no foi o fado reservado para mim
Se eu nasci pra sofrer foi porque deus quis assim

Eu no aguento mais.  hora do coitado se vingar do capataz.
Travando uma batalha. A justia tarda, tarda e no final ainda falha
Pois eu queria ser como voc, um filho da puta! 
Viva! Viva! Mas no sou assim 
Quanto mais apanha, mais satisfeito fica 
E assim vamos vivendo, caminhando para o fim

Admira o prprio carrasco, pois, no fundo,  ele que voc queria ser
Pra pisar em todo mundo, inclusive naquele que no caso  voc
Eu no aguento mais

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Programao funk: Leonardo Justi
Teclados: Donato
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8. CONSAGRAO DA PRIMAVERA

Hoje eu te elevo, doce princesa
Celebrar tua fora, tua beleza

Onipresente o teu hino ecoa em mim
Entoado em coro forte, encruado em carne e pedra
Em silncio, rasgando-me a garganta
A plenos pulmes quero cantar!

Hoje eu te elevo!

No sangue eu carrego a tua presena. Sempre
Arranhando as veias, as artrias. Sempre
D sentido a quem eu sou, a tua presena  
Sempre 

Embalado no teu colo eu me lano ao sopro de uma espiral ascendente
Sinfonia vertical, cujo incio mal se ouve
Cuja exploso o corpo pressente. 
O acorde estridente que arrebenta de repente

De mos dadas giraremos
Juntos subiremos at as portas do lugar onde mereces estar! 
O topo dos topos! O topo dos topos!

Hoje eu te elevo, doce princesa
Celebrar tua fora, tua beleza

E do pice da mxima altura, conhecers o beijo gelado do nada
A sentena da queda livre rumo ao bruto tombo que consagrar a tua destruio

E com os teus cacos brincaremos, e sobre os teus escombros danaremos
Por fim, a primavera.

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Arranjo: Donato 
Clarinete e Fagote: Deyvisson Vasconcelos 
Contrabaixo: Vokin Loksar
Flugelhorn: Matheus Corra
Percusso sinfnica: Mari Ghella
Trombone: Jonas Correa 
Violino: Conrado Kempers
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9. OS ASSALTIMBANCOS

Dceis animais! Dceis animais!
No mais! No mais!
Doces serviais, no reconhecers!
Era uma vez e ainda 
Uma velha histria, uma nova cara
Os mesmos bares que mais uma vez iro ficar de cabelo em p!

Apanhar as mscaras.
Sorrir para as cmeras
Explodir os caixas
Vamos l

A gata, a galinha, o jumento e o cachorro
Resgatam memrias que pedem socorro
Mscaras em nome de uma s voz
E no mundo dizem que so tantos como somos ns
O peso da terra, o preo da guerra, quem  que carrega?

Fidelidade  nossa raiva, faz-se certeza nossa misso
Aos saltos, de banco em banco
Desapropriando a riqueza essa mesa vai virar

Trazendo o sonho pra vida real
Tomando de assalto a cidade ideal

Algo na luz dessa lua junta minha vida com a tua
Um grito trancado no peito por tantas correntes
Das contas correntes quer se soltar
Enquanto dorme a cidade, silencioso  o combate
A estranha senhora hoje nossa ser 
Nessa serenata toda bicharada vingada ir cantar

Ao menor sinal de perigo, me alcana a mo meu amigo
Corre para a rua e olha para a lua
Tua dor  minha, minha dor  tua!

E no mundo dizem que so tantos como somos ns

Ateno! Ateno! 
Grande  a tenso na penso do baro
Se a gente canta em coro  mais forte o som da nossa voz

ATENO! ATENO! 
GRANDE  A TENSO NA PENSO DO BARO
E NO MUNDO DIZEM QUE SO TANTOS COMO SOMOS
ANNIMOS ANIMAIS, S SUAS ORDENS NUNCA MAIS! ANNIMOS ANIMAIS!

E no mundo dizem que so tantos como somos ns

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Coro: Carolina Thibau, Conrado Kempers, Dandara Catete, Iuri Gouva, Letcia Catete, Pollyana Vieira e Uir Bueno
Clarinete e fagote: Deyvisson Vasconcelos
Flauta: Karina Neves
Trombone: Jonas Correa
Trompete: Matheus Corra
Violino: Conrado Kempers
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El Efecto :

Toms Rosati  Voz, percusso e clarinete
Bruno Danton  Voz, guitarra, cavaquinho e trompete
Eduardo Baker  Baixo
Pablo Barroso  Voz e guitarra
Gustavo Loureiro  Bateria

Contatos:
www.elefecto.com.br
elefecto@gmail.com
55 21 9136.2335

Gravao e mixagem: Toms Alem
Masterizao: Bob Katz
Produo Executiva: Iuri Gouva
Programao visual: Rodrigo Danton e El Efecto
Design de Capa e Ilustraes: Daniel Sake
danielsake.com

Gravado e mixado no MK Estdio (Rio de Janeiro/RJ) e masterizado no estdio Digital Domain, Orlando/EUA, em 2012.
